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Antiesteriótipo

O que é preconceito, afinal?
O termo “preconceito” diz respeito à estrutura geral
da atitude e de seu componente emocional e cultural – e, embora utilizemos a
palavra pejorativamente, também existem os preconceitos positivos.
Quer ver?
Podemos ter um preconceito positivo ou negativo em relação aos gaúchos,
positivo ou negativo aos góticos, positivo ou negativo às socialites. Dependendo
da reação emocional que o estereótipo gera em você, sua resposta poderá ser
negativa ou positiva, fazendo com que espere que o sujeito estereotipado se
comporte de maneiras peculiares, boas ou ruins.
Embora o preconceito envolva emoções que podem ser negativas ou positivas,
tendemos a reservar a palavra para nos referirmos de forma negativa a respeito
de outras pessoas. De modo geral, o preconceito é representado de uma forma
hostil contra pessoas de determinado grupo, baseando-se unicamente na
condição destes como membros do grupo.
O estereótipo, por outro lado, é um componente cognitivo – ou seja, não é
necessariamente emocional ou positivo ou negativo. Trata-se, sobretudo, da
generalização sobre o grupo todo (e não sobre uma característica específica,
como é o caso do preconceito). Enquanto o preconceito é uma ideia
positiva ou negativa sobre um grupo com base em suas características, o
estereótipo é o ato de atribuir características idênticas a todos os membros de
um grupo.
A estereotipagem não é necessariamente emocional ou leva a atos intencionais
de hostilidade. Ao contrário, ela é, com frequência, apenas uma maneira de
simplificar a ideia que formamos do mundo – e todos nós fazemos isso.
Vamos testar: concentre-se por alguns segundos e imagine a aparência das
seguintes pessoas:
1) líder de torcida
2) garota da banda de rock
3) modelo
Pronto?
Acredito que não tenha sido uma tarefa difícil, porque todos nós fazemos
imagens mentais de “tipos de pessoas”. Provavelmente você imaginou a líder de
torcida como uma moça animada, não-intelectual e bem feminina, a garota da
banda provavelmente com a maquiagem pesada, roupas rasgadas e piercings,
além da modelo como alta, magra e sem muita inteligência. Correto?
O jornalista Walter Lippmann (1922) foi o primeiro a utilizar a palavra
“estereótipo” e descreveu a diferença entre eles e o mundo externo. Em cada
cultura, agrupamos indivíduos conforme as características mais fortes de seus
membros.
É óbvio que há líderes de torcida masculinos. Motoristas de táxi mulheres e
negros que tocam música clássica, mas tendemos a agrupar de acordo com o que
consideramos a norma estatística.
No interior de uma cultura, o que cada um considera norma é sempre muito
semelhante ao que consideram os demais, porque essas imagens são
amplamente divulgadas pela história de forma oral, artística e mesmo pela mídia
desta cultura.
O outro elemento do preconceito é a ação, que comumente chamamos de
discriminação. A discriminação é o ato de utilizarmos o estereótipo para recorrer
a uma ação negativa injustificada ou prejudicial contra membros de um grupo.
Enfim, meninas, estereotipar não é algo positivo. Quem se define se limita e
acaba por trazer isso à vida de outras pessoas. Pra que me limitar a ser gótica se
eu posso usar e abusar de cores? A ser It Girl se tem aquele dia que não
queremos nos preocupar com nada? A reflexão é válida e poucas vezes
desnecessária. Os estereótipos existem e muitos deles foram criados antes
mesmo da gente nascer, vem com a cultura e história da humanidade.
Mas precisamos mesmo alimentar isso?
Qual sua opinião?